Espaco Animal
O preço da complexidade
29/01/2010 01:59:31

Na dinâmica do processo evolutivo, os organismos mais simples levam vantagem.

A Evolução é um processo dinâmico, assim como os esforços da humanidade para compreender, identificar e conceituar os mecanismos desse processo. As idéias de Platão e Aristóteles, célebres representantes da era Ficcionista, São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, fundadores do Creacionismo, foram questionadas por filósofos evolucionistas, precursores do pensamento científico.

Primeiro foi Lamarck, em seguida Charles Darwin, criador da célebre Teoria da Evolução, que foi mais tarde complementada por Mendel, ao incorporar à teoria darwinista as regras genéticas inerentes ao processo evolutivo dos seres vivos.

Na medida em que algumas exceções à teoria de Mendel foram se materializando, surge a mais recente e mundialmente reconhecida codificação da teoria evolutiva, a Modern Synthesis, ou teoria da Síntese Moderna.

Foram três décadas de estudos, experimentos e publicações científicas sobre o pensamento evolucionário de pesquisadores como Ronald Fisher, J.B.S. Haldane e Sewall Wright, cujas idéias foram publicadas em 1942 pela bióloga inglesa Julian Huxley no livro Evolution: The Modern Synthesis, que trouxe as idéias de Darwin ao século 20 e à visão biológica dos genes.

De acordo com a teoria da Síntese Moderna, as populações contêm certo grau de variação genética e evoluem através de modificações na freqüência dos seus genes que são definidas quase sempre pela seleção natural. As alterações fenotípicas são graduais, assim como o surgimento de novas espécies e as diversificações em níveis profundos ocorrem após longos períodos de mudanças. Idéias que permaneceram inquestionáveis durante mais de meio século.

A partir de 1940, a interpretação da dinâmica evolutiva e a teoria da Síntese Moderna passam a incorporar novos elementos que surgem a partir da descoberta do genoma, da biologia molecular e da síntese biológica.

Para o filósofo e biólogo evolucionário Massimo Pigliucci da Universidade de Nova York, expandir a teoria evolutiva não significa desprezar 150 anos de estudos, muito menos negar as descobertas de Darwin. De acordo com ele, não existe rejeição ao darwinismo muito menos à teoria da Síntese Moderna, apenas uma extensão dessas teorias em vários e diferentes caminhos, que Darwin e a Síntese Moderna jamais pensaram.

Novas descobertas da biologia molecular estão ajudando os cientistas a decifrar os principais mecanismos evolutivos dos seres vivos. Eles já sabem, por exemplo, que a habilidade e velocidade das mudanças variam de acordo com a espécie e que quanto mais simples o organismo, maior sua capacidade adaptativa e mais rapidamente sofrerá mudanças genéticas. favorecendo assim a sobrevivência de sua espécie.

Bom para os pássaros e peixes, que já saíram na frente e criaram novas espécies, mais resistentes e bem adaptadas ao ambiente.

Para nós, seres infinitamente mais complexos, as perspectivas não são muito animadoras. Esse parece ser o preço a pagar por séculos de superioridade...

 

Fonte: www.the-scientist.com




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