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Entendendo a Agressividade
A agressão não é um acidente da natureza, uma invenção demoníaca ou um produto do século XX. Representa um comportamento que se adaptou pelo processo evolutivo às necessidades de sobrevivência, de forma diversa para diferentes espécies e diferentes situações. A humanidade precisa entender seu comportamento agressivo mais do que nunca, pois sua dificuldade em viver harmoniosamente com a Natureza e seus companheiros ameaça agora todas as formas de vida.

No decorrer da história várias e grandes sociedades tentaram exterminar segmentos inteiros da humanidade e na medida que se tornaram mais "civilizadas" também se tornaram mais destrutivas. O que distingue os conflitos sociais de hoje não é o súbito aparecimento do mal, mas a capacidade tecnológica para se engajar em formas maciças de destruição. As guerras internacionais pouco têm a ver com a agressividade dos indivíduos, mas relacionam-se com a cultura e as instituições humanas.

Para Lorenz, a agressão é uma espécie de instinto herdado, encontrado no homem e nos animais, que tem necessidade de ser descarregado. Há os que defendem que a agressividade tem fatores sociais, culturais e ambientais. O fato é que a agressão é um processo complexo e não unitário e está sob o comtrole de muitos fatores.

Mas qual é o valor da sobrevivência de lutar e matar? A resposta pode estar no processo de evolução que foi e ainda é uma luta pela sobrevivência. A evolução tem sido uma consequência quase automática de um mundo em constante mudança, onde o comportamento agonístico pode ser construtivo ou destrutivo.

Por causa da competição pela sobrevivência, os animais que foram hábeis em assegurar e defender suas necessidades de vida tenderam a ser bem sucedidos. E aqueles que sobreviveram" não" eram necessariamente os mais agressivos, pois a evolução animal provavelmente favorecia as espécies que eram mais seletivas em seu comportamento agressivo. Um exemplo disso foi a evolução dos dentes caninos nos primatas, que demonstra que a redução no tamanho dos dentes foi uma situação adaptativa onde se reflete que a luta feroz ( nas épocas de dentes enormes) foi direcionada para outras ferramentas e linguagem. Outra adaptações comportamentais além da luta seguiram o caminho para a sobrevivência com êxito, como a capacidade para subir, voar, nadar, entocar-se, engatinhar, andar, ver à noite, etc...

Os animais só atacam o homem quando encurralados, provocados ou ameaçados. Embora tigres, leões e leopardos tenham matado pessoas, é quase desconhecido o fato de comerem a carne humana. Até as hienas se recusavam a comer carne dos mortos deixados por tribos africanas há muito tempo; aguardavam até que houvesse decomposição para se interessarem. Talvez o homem moderno, assim como seus ancestrais, permaneça com um gosto ruim ... O fato é que não existe nada de sórdido e nem maquiavélico por trás de cães que atacam seres humanos. Existe sempre um contexto etológico por trás dos comportamentos agonísticos, embora alguns animais possam apresentar certa incapacidade de discriminação cotextual mínima, que representam os "distúrbios comportamentais". Mas disso a gente fala no próximo artigo ...

Referência bibliográfica: Johnson, R. N. A Agressão nos homens e nos animais-1979.

 

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