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Agressividade Canina

Todos os canídeos são seres altamente sociais. Se organizam em matilhas, são fiéis aos seus membros, necessitam estabelecer uma hierarquia de poder dentro do seu grupo e adotam uma linguagem comunicativa comum, cuja maior finalidade é a de manter a paz entre seus membros. Não interessa brigar!! Ao inserir-se no contexto humano, o cão irá formar sua matilha com os indivíduos com quem convive, tendendo na maior parte das vezes a lutar pela liderança do grupo mas irá reconhecer a liderança estabelecida por outro indivíduo que demonstrar postura de autoridade diante dele. Para o cão nós somos iguais a ele, disputamos o mesmo espaço, o mesmo território. Ele se sente nosso dono!

 

NECESSIDADES BÁSICAS DE UM CÃO :

  • espaço para correr, brincar, exercitar-se, mesmo que fora de sua casa;
  • ter seu local para alimentação e para dormir definidos;
  • socialização sistemática através do maior número possível de contatos, não só na infância ( período de socialização ), bem como de estimulação adequada a habituar-se ao seu meio ambiente;
  • morder ( lúdico ou defesa ), cavucar, latir, fazer buracos, explorar seu ambiente e estabelecer seu território;
  • reagir diante de uma ameaça ou de um estímulo doloroso, com latidos, posturas físicas ou até mesmo mordendo;
  • carinho, atenção, limites e uma criação com regras claras que estabeleçam uma comunicação satisfatória do animal com os indivíduos com quem convive e que possibilite uma boa convivência.

 

POR QUE OS CÃES MORDEM :

  • defesa de seu território, de seu ninho, de sua comida , de seus pertences e para proteger os membros de sua matilha;
  • por antecipação a algo que considere como uma ameaça ( movimentos bruscos, presença de um estranho em seu território );
  • quando tocado, manipulado ou como reação a algum estímulo que provoque dor;
  • quando condicionado a não tolerar presença de outros indivíduos, animais ou pessoas ( adestramentos, animais que ficam presos ou acorrentados ).

 

QUESTÕES ENVOLVIDAS NAS SITUAÇÕES DE ATAQUE

Durante minha pesquisa de campo realizada em todo o ano de 1999, na cidade de São Paulo, através de entrevistas com as pessoas agredidas por cães, pude observar que nos contextos das agressões havia sempre uma situação de "privação" em relação ao animal agressor. Esta privação ou "falta de" se apresentava de várias maneiras e foram as geradoras da agressividade por parte dos animais.

  • privação de comida : cães abandonados na rua que agrediam pessoas que se aproximavam de lixeiras ou restos de alimentos, onde estes animais estavam;
  • privação de abrigo : animais na rua que adotavam como seu território as calçadas, locais públicos ou praças, passando a agredir qualquer indivíduo que se aproximasse dos seus territórios;
  • privação de contato com outros animais e com pessoas, resultando em grande intolerância à presença de estranhos;
  • privação de limites na criação resultando em aumento da dominância dos cães sobre as pessoas e não reconhecimento de autoridade em seu dono;
  • privação de espaço : animais confinados, presos ou acorrentados em áreas de acesso às residências, por período integral ou durante o dia apenas, mas soltos à noite.

 

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